09/02/2010

Playlist: The Sea

"I’d do it all again...
You try sometimes but it won’t stop. You got my heart and my head’s lost"


_Corinne B. Rae | I'do It all again



Após o luto pelo seu pai e pelo seu marido, Corinne Bailey Rae volta de um hiato de 4 anos sem novidades musicais em sua carreira. A cantora inglesa do neo soul, como gosta de ser chamada, lançou no início deste mês o seu segundo álbum "The Sea", que transita entre canções de amores perdidos e de sonhos em um estilo jazzístico e suave de se ouvir.

O cd _completamente autoral_ abusa de cordas, strings, pianos pesados (bright piano) e os típicos violões, rhodes, melodias envolventes e letras marcantes: sua marca bem estampada desde o seu último lançamento "Deluxe Edition", em 2007/2008, do primeiro álbum 'Corinne Bailey Rae'. O single de estréia é a música "I'd do it all again" que explicitamente faz diversas menções ao seu marido, Jason Rae, encontrado morto em 2008 por uma suposta overdose de drogas.

O álbum, contudo, não fala apenas de apenas de amores perdidos, mas também de esperança. A letra de "I'd Do it all again" foi escrita antes de Jason, que era saxofonista, morrer e conta com uma série de elementos do jazz e do soul que mostram o quanto Corinne é capaz de colocar na melodia o sentimento de querer voltar atrás e fazer o que não foi feito, e o que foi feito, pelo seu amado. A voz aveludada de Corinne não só traz a magia a música mas também às canções "Are you here", também dedicada a seu pai que morreu meses antes de seu marido; e à música "Diving Hearts". Artistas como Quincy Jones e os meninos do indie rock do Arctic Monkeys participam do cd.

_Para quem é apaixonado pela cantora desde o seu primeiro álbum _como eu_ consagrado pelas canções "Like a star", "Put your records on" e "Till it happens to you", não vai se decepcionar em nada com esse novo trabalho da inglesa. A voz trabalhada, simples e arrebatadora de Corinne é capaz de suprir qualquer sentimento de angústia da perda de um amor. Os românticos _e solitários_ como o Budugo, vulgo Leandro, vão encontrar em cada canções partes de sua história, de histórias vividas _e perdidas_ e de histórias que se quer viver, contar, escrever, ouvir e cantar.

Até agora, das novas cantoras do neo-jazz/soul/blues, Corinne foi a que saiu na frente prometendo mais que uma consagração repentina. Sem dúvida, a música "I'd Do it all again" é a melhor do cd e complementa todas as outras. Corinne merece o valor merecido a um trabalho gerado em meio a dores: pois as melhores pérolas são aquelas que mais ferem as ostras.



Dá um play:
_ The Sea | Corinne Bailey Rae (2010 - EMI Records)
01. Are you here | 02. I'd Do it All again | 03. Feels like the first time | 04. The Blacklest Lily | 05. Closer | 06. Love's on it's Way | 07. I would like to call it beauty | 08. Paris nights-New York mornings | 09. Paper Dolls | 10. Diving Hearts | 11. The Sea


L.

06/02/2010

Irritantemente Feliz

"ELE quer olhar para os meus erros, minhas falhas, minhas limitações, minhas frustrações, olhar como eu sou e o que eu sou, e me fazer ver que sou EXTREMAMENTE e COMPLETAMENTE dependente d'Ele..."

_Apóstolo Estevam Hernandes


Descobri porque muita gente não entende como eu sou. E como eu vivo.
Como nada é capaz de tirar da minha boca palavras de vida. E não são essas palavras vindo do livro "O Segredo" e nem de mantras comprados a qualquer nota. E que não é possível tirar dos meus lábios o sorriso, a irreverência quanto ao desnecessário, o deboche daquilo que é para ser debochado porque é fonte de graça; e gente que não entende como ainda acredito em sentimentos, emoções, situações que para muitos não passam de utopia barata.

Ser irritanetemente feliz é saber que os meus problemas, os meus melindres, as minhas picuinhas e meus bloqueios venceram, e vencem, toda essa gente corrompida e barata que de tão seca já não acredita mais nelas próprias. Secas porque não sabem amar. Até acreditam no amor, mas não o reconhecem. Secas porque não sabem o preço de cumplicidade e alianças: traem por qualquer motivo, traem seus valores, seus princípios, suas idéias, seus planos, suas pessoas, suas conquistas. Secam porque assassinaram nelas até mesmo o calibre minúsculo de aventura, de novidade, de realização, de viver a vida e de dar a cara à tapa.

A minha felicidade só é completa quando sei que essas coisas estão em mim, mas elas não me impedem de avançar, viver, conhecer e olhar para Ele. Porque Ele me amou primeiro com todas essas coisas. Com ou sem trabalho; com ou sem família, com ou sem dinheiro; com ou sem saúde; com ou sem amigos/as, com ou sem lugares; com ou sem namorado/a; com ou sem Ele.

Eu teria muitos motivos para me deprimir, ficar em casa, não sair, não ver pessoas, não me apaixonar, não querer atingir meus objetivos. Ué, é isso que a gente aprende por aí não é mesmo? Não é isso que as pessoas, que a mídia, que os lugares nos falam: que nada está bom, tudo já acabou e transe enquanto houver cama?

Mas a nossa alma é um cachorro com fome* e ainda sou eu que a levo para passear. E ela se cala quando a gente passeia lá no altar onde morre o Eu, as minhas convicções e entendo que Eu sou totalmente dependente da vontade, do querer, dos caminhos e das Escolhas d'Ele para a minha vida. Se não estou com tal pessoa é porque Ele naõ quis. Se não trabalho em tal lugar é porque Ele não quis. Se não sou rico é porque Ele não quis. E isso não é culpá-lo dessas coisas: é reconhecer que tudo vem d'Ele.

Ele é a perfeição da Felicidade, que por sua vez é um conjunto de muitas coisas. Aprendi isso há pouco tempo. Ele é o elo, o princípio, o meio e o fim dela. E só há felicidade quando Ele está nela.

E sim: eu estou IRRITANTEMENTE FELIZ.
Isso já basta para você entender todo este texto, não?

02/02/2010

Perder coopera

Muitas coisas aconteceram desde que postei meu último texto.
Não. A Primavera não ressuscitou, nem coisas do tipo retrocederam ou voltaram atrás nas suas escolhas.

O comentário do Thiago no post 'A morte da Primavera' me reorientou e me trouxe à memória que Primaveras não morrem. E não se acabam. Muito menos quando pessoas, situações, romances, escolhas, vidas, trabalho, dinheiro, amigos, lugares, enfim... tentam roubar, matar e destruir isso. Nem mesmo quando o Mal queira nos destroçar, nos ameaçar, nos afrontar, a Primavera morre.

Muitas seriam as minhas palavras neste post. Talvez uma canção, um texto do 1.UM, da Luciana Elaiuy. Um poema da Ariadyne, um momento do Thiago, um trecho de textos terceiros, versículos, declarações de pessoas que me influenciam... muitas são as minhas faces, meu desejo. Minha voz.

Mas uma coisa é certa:
A Esperança que se renova em meu coração, ainda que tudo seja uma loucura, não é petulância alheia. Antes, contudo, é uma atitude que vai contra a qualquer visão que meus olhos vêem e daquilo que meu esepelho grita na minha cara toda vez que me olho pela manhã.

Perder faz parte da vida. Mas nem toda perda é subtração.
E nem todo ganho é conquista.
O importante é deixar as redes que nos prende _que me prende_ a essas coisas, esses afetos, essas situações e simplesmente IR.


Pois tudo coopera para o meu bem.
Eu sei que coopera.


L.