Somos altamente substituíveis: por outras pessoas, por lugares, pelo dinheiro, pela internet, pelos interesses, pelas falsidades, pelas palavras, por muita coisa. Há uma guerra acontecendo nesse exato instante dentro de nós e estamos preocupados em grandes conquistas pessoais. Como diria Renato Russo, tem gente que machuca a gente. Tem gente que não sabe amar.
A verdade é que tem um monte de gente amando um monte de coisa efêmera. Essas que passam e não se estabelecem. Essas que terminam na última gota do copo americano sujo do boteco mequetrefe da esquina. Essas que não te ligam no dia seguinte. Essas que aumenta seu $$ na Nota Fiscal Paulista. Essas mesmo.
Talvez esteja aí a desculpa para as pessoas serem tão solitárias, independentes e derrotadas. Se autodefinem como um caos ambulante. Zumbis da nossa época sem vida em seu interior. As mesmas conversinhas, os mesmos papos, as mesmas noites, os mesmos drinks, os mesmos corpos, as mesmas sensações, mas mesmas drogas. Droga de vida.
Tem gente que sacia a sua sede tomando um cálice de lágrima. Ou, então, tomando em taças dos outros, bebendo a vida dos outros. Tem gente que mata a sua fome se vendendo em troca de uma carência suprida. Comendo em cama alheia. Se alimentando de pão de dores - que não doem na pele, mas na alma. Tem gente que já é vencedor na ressaca moral, nem faz mais efeito. Mas só o travesseiro e o chuveiro sabem quantos ml de cloreto de sódio que as bolsas lacrimais soltam e se confundem na fronha ou na água corrente do banho.
Há uma guerra acontecendo no nosso interior e estamos sendo vencidos.
Ou a gente não se embaraça com os negócios dessa vida ou que nos sujemos mais com a ambição do nosso ego. Ainda bem que minha pátria não é essa. Tô meio do rolo, tô no meio dos doentes, tô no meio dos indesejáveis, tô no meio disso tudo ae. A minha diferença é que aceitei uma Verdade que liberta e que me dá infinitas novas chances todas as manhãs - causa pela qual eu não sou consumido pelas minhas neuras.
A graça de poder sair de cadeias todos os dias é vencer o mal de cada dia e não me render a ele.
Para muitos a vida tem dado Game Over. Mas para mim, há esperança de bom futuro. O bom é que ainda está acessível: acima das nuvens, saca?
L.
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