Jeremias sabia do que estava falando quando disse que o coração do Homem é enganoso e desesperadamente corrupto (Jr 17; 9). E também Jesus, quando disse que a boca fala do que o coração está cheio (Lc 6; 45). A verdade é, entretanto, quando nos deixamos ser enganados pelo coração e consequentemente falamos coisas que pensamos ser verdade.
Sabe, sempre fui enfermo de Amor. E sei que esse tipo de déficit é puramente emocional que, por sua vez, está na alma e ligado intimamente ao coração. Mas nem todos os corações são enfermos como o meu. E muito menos há corações que podem servir de hospital, diagnóstico, tratamento e cura de enfermidades como a minha. Salomão disse que de tudo que possamos guardar, que possamos guardar o coração pois dele procede as fontes da vida (Pv 4; 23).
Uma vez ouvi que Amor não é sentimento, mas atitude. Porque amar não é sentir, é agir. Por isso, não entendo quando ouço e vejo pessoas que dizem que se amam e não se correspondem em ações. Em gente que diz que ama e não faz nada para que o Amor seja realizado. E quando faz, faz pela metade, faz de qualquer jeito, faz de qualquer modo.
Talvez eu seja demasiadamente sentimental. E ainda acredite que há corações sarados. Que há corações que não se vendem por um prato de lentilha e nem escutam o papo do comprador sínico (Gn 28; 8-9). Mas se a boca fala do que está cheio o coração, hoje eu quero falar/escrever sobre Amor. Porque o meu coração é cheio de Amor.
Por que não conseguimos ser exatamente correspondidos como queremos no Amor? Por que não conseguimos cumprir promessas que fazemos a nós e aos outros quando estamos Amando?
Há vários tipos de Amor. Na Grécia o Amor era dividito em Ágape, que se direciona entre o Homem e Deus (ou o que você chama de Deus), o Fileo, entre o Homem e seus irmãos e pessoas que considera e o Eros, com a conotação de relacionamento sexual, amoroso, sentimental.
Quem sabe as pessoas estejam misturando todas as coisas e não sabendo mais colocar e sentir o Amor como se deve. Ou, então, tenham desaprendido a Amar. Não sabem amar. Renato Russo cantou: "Tem gente que machuca a gente, tem gente que não sabe Amar", na Legião Urbana. Sempre ouvi essa música e, para falar a verdade, nunca achei graça na poesia dele. Mas quando cantada, foi uma bomba atômica com consequências estratosféricas dentro de mim.
Porque quero falar de Amor que eu escrevo este post. Porque Amar não é o que estamos vendo hoje em dia. Porque o Amor se banalizou, virou "bom dia". Porque o Amor não é compartilhado, é retribuído, acessível. Porque amar virou sinônimo de cafonice, de breguice. E, para outros, sinônimo de dor e perda.
E há corações enfermos que estão cansados de perder e de dores que nunca cessam.

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