23.12.11

08 > A Véspera

Uma querida me perguntou hoje se eu estava bem. Fato incomum, pois é Natal e as pessoas tem por obrigação ser felizes. Assim como no verão, tem a obrigação de ser saudáveis. Uma chatice. 

Respondi que não, não estava bem. Porque é véspera. E esperar duas vezes por algo é ruim. Já basta esperar uma só, não é? Ela, fofa, disse que se precisasse de algo, que eu poderia recorrer a ela. Na verdade, eu preciso mesmo é recorrer a mim mesmo, a Deus e a tudo o que pode ser bom nos finalmentes de 2011. 

Foi um ano muito bom. O saldo é positivo - bem diferente dos últimos 2 anos, confesso. Estou feliz? Não. Estou contente? Algumas circunstâncias me deixam feliz. Estou bem? Vou ficar. 

Por que?

Ora, porque além de esperar pelo Natal, a celebração da vida e do nascimento da Esperança - simbolizando Cristo, para os cristãos e simbolizando a confraternização para os que não são cristãos, tenho que esperar duas vezes por um fim iminente. Sabe, não gosto de me expôr dessa maneira, mas já aprendi que é no Budugoland onde posso confiar meus segredos. 



Fui feliz em 2011. E saber disso, mesmo no passado do verbo, mesmo com toda a indiferença, mesmo com toda ferida e, sobretudo, com toda a insensatez humana e sua volatilidade nojenta, saber que fui feliz me completa. É na Felicidade que me agarro para esperar. Porque é véspera de Inverno. Não estou preparado para ele, mas tenho raízes fortes que não vão me deixar cair e nem perecer nesta estação.

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